Finanças e Investimentos

Mesada para os filhos: uma ferramenta para o desenvolvimento financeiro

Postado em: 21/05/2024

A mesada é um tema frequente nas conversas entre famílias e educadores, principalmente quando se trata de ensinar os filhos sobre dinheiro e responsabilidade financeira. Afinal, ela pode ser uma estratégia para que as crianças e jovens aprendam a gerir suas finanças desde cedo, desenvolvendo mais consciência,  hábitos saudáveis e sustentáveis. 

Embora seja uma possibilidade de abordar assuntos como planejamento, poupança e juros, muitas famílias ainda têm dúvidas sobre a mesada, como quando começar, quanto dar para os filhos e como não estimular o consumismo. Se você quer entender melhor como a mesada pode ser uma ferramenta educativa para uma experiência de aprendizagem valiosa e tirar suas dúvidas, continue a leitura!


Por que dar mesada para os filhos?

A mesada é, muitas vezes, o primeiro contato das crianças com o dinheiro e todo o universo financeiro. Por isso, é uma excelente ferramenta para que aprendam, desde cedo, a fazer escolhas conscientes e planejar seus objetivos. Ao dar uma quantia fixa regularmente, as famílias oferecem aos filhos a oportunidade de aprender a poupar, gastar com consciência e, até mesmo, doar para causas importantes. 

Por exemplo, ao receberem sua mesada, as crianças podem ser incentivadas a dividir o dinheiro em diferentes categorias, como poupança, gastos pessoais e doações. Isso pode ser feito por meio de recipientes separados ou até mesmo usando aplicativos de gestão financeira. Ao estabelecer metas de economia, como poupar dinheiro para comprar um brinquedo, as crianças aprendem sobre paciência e planejamento a longo prazo. 

Além disso, ao decidirem como gastar o dinheiro, seja em um lanche especial, um presente para um amigo ou em um item desejado, elas desenvolvem habilidades de tomada de decisão e aprendem a avaliar o valor das coisas. Essas experiências práticas são fundamentais para o desenvolvimento de uma sólida base de educação financeira desde a infância.

Outro motivo para incluir a mesada como uma prática é que ela permite que as crianças cometam erros financeiros em um ambiente controlado, onde as consequências são menos severas, mas ainda significativas o suficiente para aprenderem. Quando fizerem más escolhas, as famílias terão a oportunidade de ajudá-las a entender a importância do planejamento, de priorizar gastos e ter consciência sobre suas escolhas. 


Quando é a hora certa para começar?

O momento certo para começar a dar mesada é relativa e depende muito da maturidade da criança. Geralmente, quando as crianças começam a entender o valor do dinheiro, por volta dos 6 ou 7 anos de idade, já é possível iniciar esse processo. No entanto, cada família deve avaliar o desenvolvimento individual de seus filhos e decidir o momento mais adequado para introduzir a mesada. Para te ajudar, vamos entender como as crianças de cada faixa etária entendem o dinheiro. 

De 3 a 5 anos

Nesta fase, as crianças ainda veem o dinheiro como algo associado a comprar as coisas que desejam, mas têm dificuldade em entender sobre valores, contas e quantidades. Assim, a mesada pode ser algo simbólico e a aprendizagem deve ser mais focada nos conceitos básicos, como identificar moedas, entender como o dinheiro é ganho e como é usado para comprar. 

De 6 a 10 anos

Nesse estágio, as crianças começam a ter mais familiaridade com os números e a compreender melhor o valor do dinheiro. Elas começam a entender que o dinheiro é necessário para adquirir coisas. Introduzir a mesada nessa fase pode ser uma oportunidade para ensinar sobre economia básica, como poupar para objetivos específicos, aprendendo como pensar no dinheiro para o presente e o futuro. 

A partir de 11 anos

Nesta fase, os adolescentes estão mais conscientes das demandas financeiras. Eles podem querer gastar dinheiro em coisas mais caras, como roupas ou eletrônicos. Oferecer uma mesada para os adolescentes pode ajudá-los a desenvolver responsabilidade financeira, incluindo aprendizados sobre orçamento, priorização de gastos e economia para o futuro.


Qual valor de mesada é o ideal?

Determinar o valor da mesada é uma decisão que deve levar em consideração as necessidades dos filhos e a capacidade financeira da família, bem como a idade e as responsabilidades da criança e do adolescente. É importante que o valor seja suficiente para cobrir despesas básicas e, ao mesmo tempo, permitir que a criança aprenda a poupar para objetivos maiores.

Uma sugestão é começar por valores menores e aumentar de acordo com a idade e a maturidade financeira. Uma criança e um adolescente têm necessidades diferentes, por isso o valor oferecido deve ser reajustado segundo o desenvolvimento dos filhos. 

Existe uma teoria de que, para decidir o valor da mesada de crianças entre 6 a 10 anos, basta atribuir R$1,00 a cada ano de vida, por semana. Já a partir dos 11 anos, a sugestão é oferecer 50% do que a condição financeira da família permite: se é possível dar R$100,00, a ideia é oferecer R$50,00. Porém, para além das teorias, é essencial entender a renda mensal e o estilo de vida de cada família.

Além do valor a ser destinado para os filhos, é importante definir a periodicidade do pagamento da mesada em cada idade. As crianças até 6 anos se adaptam melhor à “semanada”, visto que ainda não possuem uma noção de tempo bem definida. Já aquelas de até 10 anos, conseguem se planejar melhor e podem ter uma experiência mais educativa com a “quinzenada”. 

A partir dos 11 anos, a mesada é a melhor opção, já que os valores são mais altos e o pagamento pode coincidir com o recebimento do salário dos pais, uma forma também de ensinar o planejamento e controle financeiro da vida adulta. Ainda, é importante estabelecer um dia para o pagamento para que os filhos desenvolvam o hábito de se planejar. 


Como transformar a mesada em aprendizagem?

Para transformar a mesada em uma experiência educativa eficaz, é importante estabelecer algumas diretrizes. Primeiramente, os pais devem incentivar seus filhos a criar um orçamento, orientando sobre a finalidade do dinheiro. Como uma ferramenta de educação financeira, a mesada deve sempre ser acompanhada de orientação, supervisão e disciplina. Isso ensina a importância do planejamento financeiro e do controle dos gastos, e oferece também a oportunidade de que as escolhas sejam feitas de forma mais autônoma e protagonista

Além de dar a mesada, é importante que as famílias deem o exemplo, conversando abertamente sobre finanças com os filhos e utilizando situações do dia a dia para ensinar conceitos financeiros, como comparar preços, buscar por descontos e entender a diferença entre desejo e necessidade. Outro aprendizado importante é sobre poupar. Para isso, os pais podem estimular as crianças a economizarem parte do valor (de 20% a 30%), seja para realizar uma meta ou para ter uma reserva para o futuro. 

Por outro lado, a mesada não deve ser vinculada às tarefas obrigatórias, como moeda de troca para que a criança faça seus deveres. Para que seja uma ferramenta eficaz, ela deve ser utilizada de forma saudável para guiar as tomadas de decisão sobre o consumo e não como uma forma de punição, evitando que as crianças criem uma relação negativa com o dinheiro. 

Dar mesada para os filhos não se trata apenas de fornecer-lhes dinheiro, mas sim de oferecer uma oportunidade valiosa de aprendizado. É por meio da mesada que as crianças podem aprender a importância do planejamento financeiro e da responsabilidade. Portanto, a mesada pode ser apenas o primeiro passo em um caminho contínuo de aprendizado financeiro.

Outro suporte essencial para que as crianças aprendam desde cedo a lidar com o dinheiro, desenvolvendo consciência financeira e mais responsabilidade é a educação financeira nas escolas, diretriz prevista na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Ao ensinar as crianças a criarem hábitos saudáveis com relação às finanças, estamos investindo no futuro, preparando-os para uma vida adulta mais independente, protagonista e consciente. 

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